Sábado, 20 de Junho de 2009

Solstício equinocial

em Macapá, na linha do Equador











Domingo, 14 de Junho de 2009

Tumuc-Humac

Visit to the stone setting (alignment) refered by Protasio Frikel. The stones have been slightly moved, perhaps by children.
We have been able to put several stones back to their original position, making them fit with the marks visible on the outcrop.
A quick sketch has been drawn.









Apart from the alignment, there is a large stone, some 2,50 m long, apparently removed from its natural position.






People and stones

Tumuc-Humac

The last day in the Mission village.















Tumuc-Humac

From the sky










Tumuc-Humac

The impressive inselberg, visible from very far, and called by the indians the Big Stone.
It is located close to the Orokofa village.












Tumuc-Humac

In the Mission village, with the katxuyana chief Honório and the Mission priests: frei Protásio and frei António.







Tumuc-Humac

Working with the indigenous teachers: starting archaeology.
General concepts, archaeology in the Tumuc-Humac, basic research techniques (including mapping with the use of GPS).








Tumuc-Humac

Granite outcrops on the banks of the Paru de Oeste. The waters were exceptionally high, due to recent heavy raining.











Tumuc-Humac

Lines in the landscape















Tumuc-Humac

Wild plants and animals















Tumuc-Humac











Tumuc-Humac

Villages and people

























































































































Tumuc-Humac

The flight from Macapá International Airport to the Mission Village, in the Tumuc-Humac Indigenous Land.







The Mission Village: the bridge over troubled waters and the jambo flowers covering the plaza of the Mission.







































Quinta-feira, 7 de Maio de 2009

Saudades do Alentejo




































































Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Alentezônica

Relexões sobre a musealização do património arqueológico amazónico, com um pequeno contributo alentejano


Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Amazônica



Segunda-feira, 30 de Março de 2009

Amazónia em Portugal

vista pelo nosso prémio Nobel da literatura.
Sobre a questão indígena, na Raposa Serra do Sol . No DN de hoje.


Quinta-feira, 19 de Março de 2009

Building symbols in Amazonia

A aldeia Kyikatêjê: o Sol da floresta

Quinta-feira, 12 de Março de 2009

Histórias de encontros e desencontros

fundamentais para a memória do passado recente dos Gaviões e, de entre eles, os Kyikatêgê



Segunda-feira, 9 de Março de 2009

Em bom português


Segunda-feira, 2 de Março de 2009

Ladeira Vermelha hoje

Aspecto actual da antiga aldeia da Ladeira Vermelha, engolida pela mata secundária (capoeira)






Domingo, 1 de Março de 2009

Aldeia da Ladeira Vermelha

Imagens da aldeia Kyikatêjê, onde este povo viveu até inícios dos anos 70.
Actualmente, os vestígios da aldeia foram absorvidos pela floresta.
Trata-se de um lugar fundamental na memória do povo Kyikatêjê, onde os mais velhos guardam as preciosas memórias de infância e onde estão sepultados os pais de muitos deles.
Actualmente, em risco de ser submersa por uma projeto de hidrelétrica.
Uma das grandes lutas deste povo, nos anos vindouros.



Segundo o site do ISA :

"Na primeira metade do século XX, os "Gaviões de oeste" se distribuiam em três unidades locais autodenominadas conforme a posição que ocupavam na bacia do rio Tocantins. Uma delas chamou-se Parkatêjê (onde par é pé, jusante; katê é dono; e jê é povo), "o povo de jusante", enquanto outra, Kyikatêjê (onde kyi é cabeça), "o povo de montante", porque, no começo do século XX, por motivo de guerra entre as duas, a primeira refugiou-se a montante do rio Tocantins, já no Estado do Maranhão; por essa razão os Kyikatêjê são também designados como "grupo do Maranhão". A terceira unidade, que ficou conhecida como "turma da Montanha" conforme sua autodenominação Akrãtikatêjê (onde akrãti é montanha), ocupava as cabeceiras do rio Capim."











































































































































Escola indígena Kyikatêjê

Uma escola virada para o ensino (e a pesquisa) dos valores da cultura indígena. Com todos os graus de ensino pré-universitário...
A funcionar na aldeia Kyikatêjê.































Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Kyikatêjê




















O portão de entrada para a aldeia Kyikatêjê















Urucum, a planta de onde se extrai a cor vermelha para as pinturas corporais





























Jogando flechas.
Paralelamente às corridas de tora, existem os jogos de flechas, como prática que acentua a competição, publicamente e de modo ritualizado, reafirmando alianças interpessoais. Nas ocasiões cerimoniais, esses jogos consistem em competições realizadas no decorrer do dia, após a corrida de toras, quando todos se dirigem para um local na mata, próximo à aldeia. Por vezes, o jogo se realiza
em frente às casas, mas sempre até o final da tarde. Em grupos, formam pares (componentes de frações cerimoniais distintas) para a disputa de flechas, em caminhos radiais. Na outra extremidade ficam em geral rapazes ou mulheres que apanham as flechas para devolvê-las aos participantes.

Existem duas modalidades desse jogo que se sucedem no desenvolvimento do ciclo cerimonial, onde os Kyikatêjê utilizam tipos de flecha distintos. A primeira consiste em atirar para baixo, fazendo com que a flecha bata à frente de um pequeno arco fincado no chão a uma distância de um metro do jogador, para em seguida se elevar e cair a cerca de trezentos metros dali. Na outra modalidade, a flecha é atirada para o alto e seu percurso é ainda maior. Ao caírem no chão, a distância ultrapassada pelas flechas dos participantes, a cada jogada, determina o ganhador (de flechas) entre os parceiros. Os exímios atiradores, mulheres e homens maduros em geral, são admirados no interior da sociedade dos Kyikatêjê e seu desempenho, assim como dos corredores mais velozes e hábeis com as toras, é fonte de aquisição de prestígio e motivo para longas conversas no pátio.
Existem duas modalidades desse jogo que se sucedem no desenvolvimento do ciclo cerimonial, onde os Kyikatêjê utilizam tipos de flecha distintos. A primeira consiste em atirar para baixo, fazendo com que a flecha bata à frente de um pequeno arco fincado no chão a uma distância de um metro do jogador, para em seguida se elevar e cair a cerca de trezentos metros dali. Na outra modalidade, a flecha é atirada para o alto e seu percurso é ainda maior. Ao caírem no chão, a distância ultrapassada pelas flechas dos participantes, a cada jogada, determina o ganhador (de flechas) entre os parceiros. Os exímios atiradores, mulheres e homens maduros em geral, são admirados no interior da sociedade dos Kyikatêjê e seu desempenho, assim como dos corredores mais velozes e hábeis com as toras, é fonte de aquisição de prestígio e motivo para longas conversas no pátio.
Extraído e adaptado do site do ISA
















As mulheres com o cesto cargueiro




















O cacique, no terreiro da aldeia




















O Baixinho, no terreiro da aldeia























































































































Aspectos do ritual da corrida da tora

Os rituais dos Gaviões se ocupam diretamente das relações entre pessoas e grupos, mediante a utilização de um esquema simbólico: a divisão em metades. Todo o grupo está segmentado conforme essas metades cerimoniais, Pàn (Arara) e Hàk (Gavião), que disputam as tradicionais corridas de toras e os jogos de flechas. Uma outra divisão, nas frações Peixe, Lontra e Arraia, serve para a realização de um outro ciclo cerimonial.

Não são apenas as metades e outras frações que participam dos rituais: neles, pode-se notar oposições como entre parentes e afins, entre amigos formais, entre homens e mulheres ou ainda entre classes de idade. 0 jogo de futebol, realizado com freqüência no próprio pátio cerimonial da aldeia, prende-se à divisão entre jovens e homens maduros.

Há rituais que duram vários meses, com períodos de abertura e de encerramento. Ligada a todos os ritos, a corrida de toras voltou a se realizar com muita freqüência, disputando-se entre duas ou três turmas, basicamente, que correspondem a frações cerimoniais. São realizadas quase que diariamente, com toras de coqueiro babaçu ou de sumaúma, de acordo com a fase do ciclo cerimonial, pintadas de urucum. Ao chegarem ao pátio, os corredores são banhados pelas mulheres, que, em geral, costumam participar só no final. Inúmeros comentários, em tom jocoso, exaltam o desempenho dos corredores por todo o dia.
Extraído e adaptado do site do ISA















As mulheres preparando comida tradicional















Zeca Gavião,um dos lideres da aldeia com a Prof. Jane Beltrão. Momentos de discussão política sobre as grandes questões que preocupam a aldeia.















A Dra. Rosane, assessora da escola Kyikatêjê, do povo Kaingang, com a Professora Jane Beltrão















O alentêjê com as meninas que participam no ritual da tora












O alentêjê entre o cacique (à direita) e Kaipere. Kaipere foi um dos guerreiros que me acompanhou às ruinas da antiga aldeia da Ladeira Vermelha.

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

carnavais e despedidas











Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

Arqueologia guianense

A arqueologia guianense avança a bom ritmo...
Como curiosidade, vejam-se, na prancha apresentada, objectos muito semelhantes aos que, na Península Ibérica, chamamos de ídolos de cornos (link 1, link 2, link 3), com paralelos também no Suriname e no Amapá (informação de João Saldanha)...
E tão misteriosos, em termos funcionais, como os europeus...




















Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Antes do Brasil...

...os índios.






















9. "a etnologia pode fornecer um olhar crítico às interpretações históricas e arqueológicas"


36 "há hoje, como no passado, um curioso hiato entre as disciplinas: sem compreender os azares da pesquisa arqueológica, os etnólogos e historiadores tendem a adoptar a sua vulgata"


Sobre os Tupinambá, a guerra e o canibalismo ritual:

79 "A execução ritual podia tardar vários meses. Nesse intervalo, o cativo vivia na casa de seu captor, que lhe cedia irmã ou filha como esposa; sua condição só se alterava às vésperas da execução, quando era reinimizado e submetido a um rito de captura. Por fim, era morto e devorado"

Sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009

Amazônia: paraíso ou inferno verde





















Betty Meggers faz parte do património cultural da Amazónia: na verdade, ela é uma referência incontornável da arqueologia amazônica, um monumento.
Claro que muitas das perspectivas com que a sua obra foi construída estão hoje ultrapassadas e muitas das suas conclusões e propostas têm sido criticadas por sucessivas gerações de arqueólogos/antropólogos.
Convicta de que a floresta amazônica constituía uma barreira à complexificação social dos povos ameríndios que aqui se instalaram, ela ofereceu argumentos científicos à luta dos ambientalistas contra o avanço da economia predadora do mundo contemporâneo.
Com ou sem razão, ela certamente olhou para esta paisagem emblemática com amor. Uma vida pela Amazónia.
A minha homenagem.

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Geoglifos





















Arqueologia da Amazônia Ocidental: os Geoglifos do Acre
Denise Schaan, Alceu Ranzi, Marti Parsinen

Tive o privilégio de assistir ao lançamento desta obra, na Biblioteca da Floresta (Rio Branco), no Verão de 2008. Testemunhei, assim, o elevado interesse com que ela foi recebida pelo público presente, traduzido numa participação muito ativa, por vezes emocionada, de pessoas de diversas áreas da cultura e da política locais.
O tema central deste trabalho - os “geoglifos” - se vier a ser bem aproveitado, poderá com certeza assumir uma importância significativa no desenvolvimento sustentável da economia da Amazônia Ocidental, em termos turístico-culturais.
A história destes monumentos é aqui contada a várias vozes e sob diferentes perspectivas.
O livro, que possui um cuidadoso aspecto gráfico, abre com uma apresentação do Governador do Estado do Acre, licenciado em História e, também por isso, muito bem colocado para entender o que está sendo discutido: mostra que as instituições estão vivamente interessadas em construir as pontes necessárias entre os interesses estritamente culturais e científicos e os interesses mais complexos de uma sociedade democrática.
Depois de uma introdução esclarecedora, assinada pelos organizadores, a Professora Denise Schaan traça, de forma muito pedagógica, um quadro geral sobre a história da investigação arqueológica no Estado do Acre, com uma focagem mais aprofundada no tema dos “geoglifos”. Para além dos dados de carácter historiográfico, esse texto resume o estado atual da pesquisa, sintetizando as principais problemáticas com que ela terá que lidar no futuro.
Entretanto, além desta síntese, o livro recuperou seguidamente alguns textos fundamentais, já publicados, mas, por diversas razões, de difícil acesso.
Um destes – o primeiro texto publicado sobre os monumentos acreanos – é da autoria do Professor Ondemar Dias (em parceria com Eliana Carvalho) que, nos tempos pioneiros do PRONAPABA (já com a participação, como estudante, do Professor Alceu Ranzi) colocou a primeira pedra no edifício. Trata-se de um artigo publicado em 1988, com algumas observações e hipóteses interessantes para a interpretação funcional dessas estruturas de terra.
O livro reedita também um texto de Alceu Ranzi e Rodrigo Aguiar, publicado numa discreta revista portuguesa de arqueologia, de vocação regionalista, em que os autores, apesar de não serem arqueólogos, colocam diversas questões de fundo, de que as mais interessantes serão, a meu ver, aquelas que derivam da relação entre os “geoglifos” e a paisagem.
O Professor Alceu Ranzi foi, indiscutivelmente, o principal divulgador destes vestígios, desempenhando, neste processo, um papel inestimável na sensibilização das populações e dos seus representantes políticos, atendendo à sua dupla condição de acreano e investigador universitário. Note-se que, para além da dimensão científica, tendencialmente neutra, o Patrimônio tem implicações afetivas que justificam, em parte, o seu reconhecimento social.
Num registro mais arqueológico e revelando, aliás, um bom conhecimento da bibliografia científica pertinente, segue-se na obra um artigo (publicado anteriormente em inglês), da autoria de investigadores da Universidade de Helsínquia (com a colaboração de Alceu Ranzi).
Os autores, coordenados pelo Professor Martti Pärssinen, cuja investigação se tem centrado, há já alguns anos, em temas relacionados com o contexto macro-regional, nos países vizinhos, desenvolvem aqui algumas hipóteses relacionadas com a complexidade social na terra firme amazônica, recorrendo à análise das fontes históricas, traçando uma síntese da agenda da arqueologia amazônica, nas últimas décadas, e articulando essa revisão com a primeira (e única, até ao momento) datação radiocarbônica disponível para os “geoglifos” do Acre.
Em seguida, Denise Schaan relata a sua experiência num projeto de Arqueologia de Salvamento que teve como objetivo a proteção do patrimônio arqueológico, em função dos trabalhos de implantação de uma linha de transmissão de energia elétrica. O artigo serve também de pretexto para a autora apresentar e discutir os fundamentos legais deste tipo de intervenções, assim como a sua aplicação concreta. Infelizmente, nem sempre existe uma perfeita compreensão, por parte das entidades promotoras de projetos de desenvolvimento, da importância da salvaguarda do patrimônio cultural, mesmo quando – e foi esse o caso – se trata de empresas governamentais.
Finalmente, no que diz respeito aos artigos, temos um interessante exercício de articulação entre etnografia e arqueologia, que é, aliás, uma caraterística recorrente na investigação amazônica: Pirjo Virtanen, investigadora finlandesa, procura desvendar os eventuais fios condutores entre os “geoglifos” e os povos indígenas da região, em particular os Manchineris (do tronco Aruak). Esses links, ainda certamente muito frágeis, poderiam, segundo a autora, encontrar-se na valorização econômica e simbólica das palmeiras – frequentemente encontradas associadas aos “geoglifos” -, na existência de terreiros de dança, na tradição Manchineri, assim como na lenda de que esse povo escavaria esconderijos, para se proteger de inimigos.
Com a finalidade de contextualizar arqueologicamente os “geoglifos”, o livro fornece ainda uma relação com todos os sítios arqueológicos conhecidos no Estado do Acre e, em anexo, apresenta uma Recomendação do Ministério Público sobre a proteção do Patrimônio Histórico-Arqueológico, assim como uma extensa Documentação Fotográfica com os principais monumentos.
O leitor terá certamente reparado nas aspas que usei sempre que mencionei a palavra “geoglifos”; na verdade, na minha opinião, essa designação não será a mais adequada, embora se trate, evidentemente, de uma opção compreensível. De resto, o Professor Alceu Ranzi deixou bem expresso que escolheu ela porque “os geoglifos de Nasca, Peru (…) tornaram-se famosos no mundo todo por sua beleza e mistério” e a proximidade geográfica entre o Acre e o Peru suportam, naturalmente, esta associação. Não esqueçamos que Alceu Ranzi, acreano de alma e coração, se tem empenhado na divulgação e promoção de um patrimônio que indiscutivelmente o merece.
Na minha opinião, os monumentos do Acre apresentam diferenças notórias, em relação aos verdadeiros geoglifos: não existem aqui os característicos desenhos zoomórficos de Nasca e estes, por outro lado, não implicaram o enorme esforço “construtivo” que está patente em muitas das estruturas de terra amazônicas. É certo, porém, que, nos Estados Unidos da América (nomeadamente no Ohio), existem construções de terra representando figuras zoomórficas que, de algum modo, poderiam fazer a ponte entre as do Acre e as de Nasca.
Por outro lado, tanto o descobridor dos “geoglifos”, Ondemar Dias, como os investigadores finlandeses, usam designações distintas (e muito mais genéricas): “estruturas de terra”, no primeiro caso, e “construções geométricas de terra”, no segundo.
Note-se que uma das características mais notadas nos recintos do Acre, é precisamente a posição relativa da mureta e da valeta, aparentemente inversa daquela que uma finalidade defensiva faria supor: a valeta fica sistematicamente no interior do espaço delimitado pela mureta. Este detalhe permite estabelecer uma analogia com os famosos henges das ilhas britânicas, de que o mais conhecido é precisamente Stonehenge.
Nesse caso, as interpretações arqueológicas – baseadas em diversos tipos de evidências – têm privilegiado o caráter cerimonial dos recintos, reforçado quase sempre pela presença de construções megalíticas associadas.
Porém, para além dos henges, existem na Europa milhares de recintos, pré e proto-históricos, delimitados por sistemas de muretas e valetas (bank and ditch), desde Portugal à Ucrânia e desde a Escandinávia à Itália. Embora as questões funcionais não estejam definitivamente arrumadas, pode afirmar-se, sem grande margem de erro, que estamos em presença de uma forma de construir e que, com ela, se fizeram diferentes tipos de construções, com finalidades distintas: algumas, como os referidos henges, delimitam espaços claramente cerimoniais; outras, como as do Sudeste da Itália (Tavolieri) ou do Sul da Península Ibérica, são claramente estruturas defensivas, protegendo povoados. Saliente-se, nesta última região, a existência de recintos defensivos com áreas superiores a 100 ha.
Com isso, o geometrismo dos “geoglifos” do Acre não pode excluir o seu carácter arquitetônico: na verdade, círculos e polígonos regulares (sobretudo quadriláteros) são figuras geométricas geralmente utilizadas na arquitetura, tanto sagrada, como profana, um pouco por todo o mundo.

Bibliografia
Bradley, R. 1998. Interpreting enclosures, in Understanding the Neolithic of north-west Europe. Editado por M. Edmunds e C. Richards. Glasgow: Cruithne Press.
Burgess, C., P. Topping, C. Mordant & M. Maddison. Editors. 1988. Enclosures and defenses in the Neolithic of western Europe. Oxford: British Archaeological Reports.
Cleal, R.M.J., K.E. Walker & R. Montague. 1995. Stonehenge in its landscape. Twentieth-century excavations. London: English Heritage.
Dyson, L., G. Shand & S. Stevens. 2000. Causewayed enclosures. Current Archaeology. 14.12 (168), pp. 470-2.
Edmonds, M. 1999. Ancestral geographies of the Neolithic: landscapes, monuments and memory. London: Routledge.
Francis, E. 2001. Avebury. London: Wooden Books
Romain, W.F. 1991. Symbolic associations at the Serpent Mound. Ohio Archaeologist 41(3), pp. 29-38.
Sanchez, A., J. Bellon, C. Rueda. 2005. Nuevos datos sobre la zona arqueológica de marroquies bajos: El quinto foso. Trabajos de prehistoria , vol. 62, no2, pp. 151-164.
Stallings, R. 1981. The alligator effigy mound. Ohio Archaeologist 31(1), pp. 13-15.
Vatcher, F. M & L. Vatcher. 1976. The Avebury Monuments . London: Department of the Environment HMSO
White, J.R. 1996. The Stubbs Earthwork: serpent effigy or simple embankment. North American Archaeologist, 17(3), pp. 203-237.
Manuel Calado

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Pedras e calendários 5








Alguns sítios com eventuais notações calendáricas, no divisor de águas Amazonas-Caribe.

Referidos no artigo:

BOOMERT, A. (1981) - The Taruma Phase of Southern Suriname. Archaeology and Anthropology, 4, n. 1 e 2, p, 104-157.

143
“...situated on the NW slope of the Makatu mountain, to the N of a cave in which Goodland (1976) found many petroglyphs. It consists of a row of some 30 stones.”

144
“Hurault, Frenay and Raoux (1963) found a number of stone alignments on top of a granite outcrop in the Mitaraka Massif , near the source of the Litani (Italy) in French Guiana. (…) Two small circles were associated as well as 13 figures constructed of small stones arraged in the form of human beings and animals.”

144
“Stone alignments are reported from the coastal region of the Territory of Amapá. (…) One site is composed of 18 stones, arranged to form a ca. 5m-long row”. (Meggers and Evans, 1957)

Pedras e calendários 4

A Lapa dos Gaivões (Arronches, Portugal) tem, talvez, o melhor exemplar de notações calendáricas, na pré-história portuguesa. Trata-se de um conjunto de traços pintados, organizados em 4 grupos de 7 , sugerindo fortemente a existência de um calendário luni-solar.





Foto de Rafael Henriques

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Pedras e calendários 3

Na sequência dos dois posts anteriores, cá vai mais um disparate astronómico:
a espantosa regularidade, no megalitismo funerário alentejano, das câmaras com 7 esteios, bem poderia derivar das concepções calendáricas de tipo luni-solar...




Alçado e planta da anta mais alta do mundo: a Anta Grande do Zambujeiro (Évora, Portugal)

Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

Pedras e calendários 2

Em Portugal, a possibilidade de uma relação entre o número de menires, nos recintos megalíticos, e notações calendáricas, não foi, até agora, encarada pela investigação arqueoastronómica (exceptuando a proposta do Prof. Marciano da Silva, para o monumento dos Almendres).

Na verdade, essa omissão prende-se sobretudo com questões epistemológicas: o grau de conservação da quase totalidade dos recintos não recomenda efectivamente esse tipo de conjecturas.

A excepção mais significativa diz respeito ao recinto de Vale d'El Rei; com efeito, tudo aponta, neste caso, para uma preservação integral do conjunto, apesar dos danos ocorridos, no início dos anos 80 do sec. XX (Calado, 2005: 76).

A possibilidade de os 12 menires corresponderem à representação dos 12 meses de um calendário luni-solar, deve, naturalmente, colocar-se; a descoberta (ainda não confirmada cabalmente) de um 13º menir, no interior do recinto, aquando da reposição mecânica das terras escavadas, no contexto do restauro do recinto, pode, por outro lado, ajustar-se á questão da efectiva da não coincidência entre o ciclo solar (anual) e os ciclos lunares (mensais). Esse possível menir, vislumbrado apenas, no interior do recinto, corresponderia, eventualmente, ao mês intercalar de algumas soluções calendáricas luni-solares.















Com muito menos segurança (atendendo ao catastrófico estado de conservação do monumento) poderíamos ainda incluir na mesma categoria o recinto do Monte da Ribeira (em Reguengos de Monsaraz), de que existem igualmente 12 menires.




Recinto megalítico do Monte da Ribeira, no seu estado actual
Por outro lado, o recinto megalítico do Xarez, cuja fisionomia actual se deve (não sabemos, efectivamente, em que medida) a José Pires Gonçalves, apresenta uma planta particularmente sugestiva, na perspectiva em que aqui nos colocamos: trata-se de um quadrado com 52 menires, 13 em cada um dos lados...









Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Pedras e calendários















Jogo infantil, localmente conhecido como Amarelinha, com a representação do "Céu", desenhado numa rua de Macapá


Arqueastronomia na Savana Tiriyó (Tumucumaque): uma abordagem preliminar

Manuel Calado


1. Introdução a uma arqueologia desconhecida

Os Tiriyós (Trios ou Tarenos) ocupam actualmente uma extensa área de savana, na fronteira entre o Brasil (Pará) e o Suriname. Trata-se de uma paisagem de “campos gerais”, rodeada de floresta tropical, junto da divisória de águas que separa a bacia amazónica, nos troços superiores dos rios Paru do Oeste e Paru do Leste (Pará, Brasil), da bacia do rio Coratijn, no Suriname.
A paisagem física é muito marcada pela presença de inselbergs graníticos, de diferentes fisionomias; note-se que o granito é uma das rochas mais utilizadas, um pouco por todo o mundo, na “construção” de monumentos megalíticos.
A língua falada pelos Tiryiós pertence à família Carib e, no mesmo território, convivem outros grupos mais ou menos aparentados.
As primeiras notícias (e, na verdade, praticamente as únicas) sobre a arqueologia na savana Tiriyó ou Savana do Paru (em território do Suriname, essa mesma paisagem continua com a designação de Savana Sipaliwini, onde habita uma parte dos Tiriyós), devem-se a Protásio Frikel, investigador e missionário alemão que esteve entre os Tiriyó, entre as décadas de 50 e de 70 do século passado.
É provável, como os Tiriyós defendem (e Frikel admitia também), que exista uma relação genética entre esse povo e os autores dos monumentos “megalíticos” e da arte rupestre da região. Na verdade, a mobilidade dos grupos humanos, largamente potenciada, nesta parte do mundo, pela agressão colonial, deve precaver-nos de conclusões precipitadas: é necessário contextualizar melhor os referidos vestígios, cruzando, sempre que possível, os dados arqueológicos com os dados etnográficos.
Segundo Frikel, os Tiriyós atribuem aos Aibüba, os Antepassados, a autoria de, pelo menos, quatro monumentos, constituídos sobretudo por alinhamentos de pedras, dos quais o autor alemão observou e descreveu apenas dois.
São precisamente estas construções, o objecto deste texto; devo observar, desde já, que Protásio Frikel anotou convenientemente as orientações astronómicas dos alinhamentos e deduziu o carácter cerimonial do sítio. Essa leitura foi, aliás, bastante reforçada pelas lendas dos próprios Tiriyós.
Anote-se, a propósito, que na fronteira entre o Amazonas e a região caribenha, para além destes alinhamentos que, à partida, poderemos integrar no universo conceptual do megalitismo, existem outras manifestações simbólicas que estão na fronteira entre megalitismo e arte rupestre: trata-se de figuras (antropomorfas, zoomorfas, geométricas), desenhadas com pequenas pedras justapostas, no topo de inselbergs graníticos.

2. Arqueoastronomia: brevíssimas notas

Os primeiros passos da arqueoastronomia, aplicada aos monumentos megalíticos, devem-se, aparentemente, ao reverendo William Stukeley, que, no sec. XVIII, se baseou na observação, confirmada por todos os investigadores posteriores, de que o eixo de simetria em Stonehenge (o monumento megalítico mais conhecido em todo o mundo, no Sul de Inglaterra) se alinhava com a posição, no horizonte, do nascer do sol no solstício de Verão, em articulação com a Heel Stone, um menir localizado no exterior do recinto.
Essas propostas precoces ganharam contornos mais ambiciosos, ainda ao longo do mesmo século, com os trabalhos de L. Lewis, que defendia, em acréscimo, a importância dos alinhamentos estelares, tendo sido o primeiro a avançar a ideia de que os monumentos definiam também alinhamentos astronómicos com elevações proeminentes no horizonte.
Destacam-se, igualmente, nessa fase pioneira da investigação sobre o tema, os trabalhos de H. B. Sommerville, que deu a conhecer o primeiro alinhamento lunar nos monumentos de Callanish, nas Ilhas Hébridas.
Daí para cá, multiplicaram-se os estudos arqueoastronómicos; porém, de uma forma geral, a arqueoastronomia não tem tido uma recepção entusiástica da parte de grande parte dos arqueólogos: na verdade, como se compreende, muitos dos trabalhos publicados são da responsabilidade de investigadores oriundos de outras áreas do conhecimento (astronomia, engenharia, história da Ciência…).

Coube, efectivamente, à chamada “arqueoastronomia cultural”, nas últimas duas décadas, um papel mais integrador, em termos epistemológicos.
Com este impulso teórico, articulável, aliás, com outros desenvolvimentos no seio da arqueologia, a arqueoastronomia atingiu, pela primeira vez, o estatuto de disciplina universitária.
A esta nova formulação, não foram alheios os avanços da arqueoastronomia meso-americana, histórica e etnograficamente sustentada e integrada no estudo de elaborados sistemas culturais e simbólicos.

Em termos puramente arqueológicos (nos casos em que não dispõe de dados etnográficos, históricos ou etno-históricos) a arqueastronomia tem-se concentrado sobretudo nas seguintes campos:
1. A iconografia. Neste domínio, destaca-se largamente o contributo da chamada arte rupestre (geralmente pinturas ou gravuras sobre suportes rochosos); em menor grau, existem alguns documentos arqueoastronómicos que chegaram até nós noutros suportes. O Sol, a Lua e outros corpos celestes foram representados, de forma bastante recorrente, em contextos simbólicos mais ou menos complexos.
2. Os alinhamentos astronómicos azimutais (em função das posições do nascer ou do pôr dos astros, em relação ao horizonte). Estes alinhamentos (sobretudo os dos equinócios, solstícios e pausas lunares) foram materializados quer através da posição de elementos de monumentos, quer de monumentos entre si, quer ainda da relação espacial entre estes e certos elementos da paisagem natural.
3. As notações calendáricas. A observação dos movimentos cíclicos dos astros, controláveis através da respectiva posição no horizonte (mas não só), traduz-se, naturalmente, no estabelecimento de sistemas de contagem do tempo.
As mais antigas evidências arqueoastronómicas são, precisamente, marcas que parecem registar o cômputo do ciclo lunar (e do ciclo menstrual): os primeiros astrónomos, no feminino…

No Brasil, a arqueoastronomia tem-se focado principalmente na iconografia rupestre, particularmente rica e diversificada. Em paralelo, existe um corpus considerável de estudos etnoastronómicos; porém, a ponte entre estes dois campos de conhecimento nem sempre é fácil e, em alguns casos, é totalmente inviável.
Recentemente, a redescoberta e o estudo sistemático de monumentos megalíticos funerários, no Amapá, trouxe, de forma muito decidida, a arqueoastronomia brasileira para o campo dos alinhamentos azimutais.
Efectivamente, no monumento AP-CA-18, o melhor conhecido, foram identificadas orientações solsticiais bastante consistentes, com a originalidade de, aparentemente, estas não se restringirem à relação com o horizonte; de facto, a proposta interpretativa dos escavadores (João Saldanha e Mariana Cabral), incorpora a possibilidade de a inclinação dos monólitos se ajustar à trajectória do Sol, em fase de declínio, no maior dia do ano.

No entanto, convém referir que, para além dos monumentos amapaenses, que tiveram, aliás, uma forte repercussão nos meios do megalitismo internacional, já havia alguns indícios de que existiriam, em diversas áreas do território brasileiro, monumentos de pedra que, embora não atingissem a escala dos grandes monumentos megalíticos europeus, ou mesmo dos do Amapá, se podiam integrar genericamente na mesma família.
A propósito destes casos menos conhecidos (e menos estudados) foram já, em todo o caso, tecidos alguns considerandos de tipo arqueoastronómico.

3. Os monumentos e as memórias

Os dois monumentos referidos por Protásio Frikel consistem, como já anunciei, em alinhamentos de blocos graníticos, implantados ao alto, orientados em função dos pontos cardiais, em áreas expostas a Nascente.
Em ambos, temos uma estrutura construída comparável à dos alinhamentos da Vendée, no Oeste francês; quanto à topografia do local de implantação – vertentes expostas a Nascente - as analogias estendem-se a boa parte dos conjuntos megalíticos europeus, nomeadamente nas regiões megalíticas excepcionais que são a Bretanha e o Alentejo Central.
Porém, ao contrário dos seus congéneres europeus, os alinhamentos dos Tiriyós encontram um suporte interpretativo muito consistente na etnografia local.
Nas palavras do informador de Frikel, "quando os Aibüba (os antepassados) moravam em Wáipa, houve uma noite muito longa. O Sol não quis aparecer. Eles saíram para o campo e se sentaram ali para esperar o aparecer da luz. Mas a escuridão não quis findar e os Aibüba não quiseram sair sem ver o nascer do sol. Assim ficaram sentados até se tornarem pedras. E lá ainda estão.
Este conjunto, formado por 52 pedras, ajusta-se ao eixo N-S e tem associados um círculo radiado, gravado na rocha, uma pia natural e um outro bloco, aparentemente também natural.
Se aceitarmos que o círculo radiado é uma representação solar, estaremos, pois, em presença de um caso em que se poderão aplicar dois dos campos em que habitualmente se move a arqueoastronomia: a iconografia e os alinhamentos azimutais.
Segundo Frikel, os índios "dividem estes 'transformados' em famílias e indicam quais os homens e quais as mulheres e crianças." O carácter arqueoastronómico do conjunto, aparente na análise etic dos vestígios, ajusta-se perfeitamente à tradição indígena.
Um outro sítio, descrito por A. Frikel, é conhecido como os Transformados de Manákamã: "tem uma extensão de 27 m e se compõe de 13 pedras"; "nos relatos da tradição fala-se também da noite comprida e do medo dos Aibüba. Estes (...) se sentaram sobre as pedras que serviam de bancos. Esperaram assim a luz e o Sol que demorou a vir. Esperaram até se tornarem em pedras como "encantados".
Note-se que, para além do simbolismo astronómico, sugerido pela orientação – comum a grande parte dos megalitos europeus – a tradição Tiriyó deixa muito claro o carácter antropomórfico dos blocos pétreos, assim como a metáfora social do conjunto.

4. O Tempo dos Astros
Para além de todo o potencial simbólico dos objectos e eventos celestes e, dentro destes, do Sol e da Lua, os astros proporcionaram, com base na observação dos seus movimentos cíclicos, o meio mais universal de medir o tempo e organizar calendários.
Os solstícios, os equinócios ou as pausas lunares foram os eventos astronómicos mais frequentemente fixados nos monumentos megalíticos, através dos alinhamentos azimutais. No caso dos monumentos da Savana Tiriyó, falta ainda confirmar, com meios técnicos de que Frikel não podia dispor, os verdadeiros azimutes; a interpretação daquele investigador sugere, de forma muito engenhosa, um ritual solsticial relacionado com latitudes mais elevadas, de onde propõe que os antepassados dos Tiriyó sejam oriundos.
Seja como for, o mais interessante nestes sítios cerimoniais é, na perspectiva em que aqui nos colocamos, o facto de o número de pedras, num e noutro dos alinhamentos descritos por Frikel, ser de 13 e 52.
Claro que não podemos descartar a possibilidade de se tratar de uma coincidência que só uma amostra maior poderia validar estatisticamente; porém, quer o contexto arqueológico (uma linha Norte-Sul, implantada numa encosta virada a Nascente, o território dos mortos), quer o contexto etnográfico (a observação do nascer do Sol) apontam para a existência de notações calendáricas.
Como é sabido, a articulação entre o ciclo anual (solar) e o ciclo mensal (lunar) que, de facto, não são coincidentes, foi resolvida de formas distintas, por diversas culturas, desde épocas muito antigas.
A divisão do ano em 13 meses, encurtados à medida deste propósito, foi uma das soluções (hoje muito em voga nos meios New Age, com base no calendário Maia). O acrescento de um décimo terceiro mês, foi outra.
O conceito de semana de sete dias, ecoando as quatro fases da Lua (embora o mês lunar seja de 29,5 dias, implica, por outro lado, 52 semanas no ano. Segundo E. Magaña, os Caribs costumavam distinguir precisamente quatro fases lunares.
Esta leitura que, no futuro, importa confrontar com o calendário tradicional dos Tiriyós, sugere, efectivamente, que estamos perante noções calendáricas relativamente complexas, de tipo luni-solar.
Convém não esquecer, em alternativa, que, no sistema Maia, existiam dois calendários: um deles, solar, com 18 meses de 20 dias e, um outro, ritual, com 13 meses de 20 dias.
Os dois calendários coincidiam de 52 em 52 anos.
Apesar de as distâncias (no espaço e talvez no tempo) entre os Maias e os Aibüba (os antepassados dos Tiriyó) serem muito consideráveis, é perfeitamente plausível uma relação, de qualquer tipo, entre ambos; na verdade, segundo relata G. Reichel-Dolmatoff, entre os índios Kogi, na Amazônia colombiana, existe igualmente um sistema com vários calendários, um deles também de 18 meses de 20 dias e outro de 13 meses de 29 dias.

5. Nota final
As observações acima expostas constituem apenas um esboço, muito preliminar, de um estudo que precisa, no futuro, de vários desenvolvimentos.
Por um lado, é importante desenvolver trabalhos no domínio da arqueologia, de modo a estabelecer bases cronológico-culturais para os monumentos em causa; ainda neste âmbito, é fundamental contrastar os dados disponíveis com os outros dois monumentos referidos, mas não descritos, por Protásio Frikel, assim como com outros eventualmente por descobrir. As medições rigorosas e as relações com outros tipos de sítios arqueológicos (vestígios de aldeias e arte rupestre, sobretudo), assim como com elementos paisagísticos proeminentes, são, naturalmente, também fundamentais.
Por outro lado, é necessário aprofundar os estudos, iniciados por Frikel, no campo da etnografia Tiriyó e, de um modo mais amplo, na região amazônico-caribenha.
A confirmar-se a leitura aqui avançada, estaríamos em presença de um caso muito raro nos estudos arqueoastronómicos: para além das orientações azimutais e da iconografia, os sítios da savana Tiryió comportariam igualmente notações calendáricas. E, para cúmulo, com uma interessante contrapartida de base etnográfica.

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Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009

Amazônia, há quase 100 anos





























Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Saudades do Brasil






































Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Astral



Clique na imagem

Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2008

Mais uma Gema



Mais um texto de arqueologia interpretativa no site do Gema. Uma viagem, um desafio...

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

El Infernito

Menires, no Norte da América do Sul


No blog do GEMA

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Indios nos Tristes Trópicos portugueses

As questões indígenas brasileiras na imprensa diária portuguesa (Diário PÚBLICO)

arqueoastronomia



A arqueoastronomia em espanhol: um livro sobre o tema e um Encontro Internacional organizado pelo SEAC, que teve a participação do Professor Cândido Marciano da Silva e de Catarina Oliveira, membros do GEMA

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

Tropical megaliths and ethnoarchaeology









Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

Amazonia in Iberia

One of the surprises of the European Megalithic Studies Group Meeting, held in Seville, Spain, in November 3-5, 2008, was the presentation, by Professor Roger Joussaume (CNRS), of the megaliths of Amapa, in the context of a conference about megaliths in the world.
Welcome Amapa. Welcome Joao Saldanha and Mariana Cabral...




Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Amazónia, a última fronteira

do Miguel Sousa Tavares (o primeiro capítulo do livro "Sul")


"Entre os Kayapós do Xicrim são as mulheres quem toma todas as decisões sobre a vida da tribo (...). Só os homens caçam e dançam e só eles é que fazem a guerra. Mas quem decide o que eles fazem e quando, são as mulheres. E, quando um homem sai para a caça -por dois, três dias - a mulher tem o direito de adoptar outro homem na sua ausência, desde que não esteja de relações cortadas com o marido legítimo" p. 23

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

Tristes Trópicos em Évora


Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008

Ethnoarchaeology



Terça-feira, 7 de Outubro de 2008

Comparative archaeology







Terça-feira, 2 de Setembro de 2008

Arte rupestre contemporânea

Arte pública, junto ao Forte - Museu do Encontro, em Belém, inspirada em motivos da arte rupestre.

Quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

Megalitismo e arte rupestre

Palestra sobre musealização de sítios pré-históricos europeus. No IPHAN (Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional) de Belém.





Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

Arqueoastronomia

Exposição sobre Arqueoastronomia no Brasil, baseada nos registos de Arte Rupestre e em dados Etnográficos.
Inaugura no dia 29 de Agosto, em Belém.
Organizada por Cíntia Jalles e Maura Imazio









Sábado, 16 de Agosto de 2008

Céu de Belém


...visto da janela do meu quarto, no hotel Danúbio






Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

HANNAH

::da Arqueologia Amazônica::
defesa da Tese de Pós-Graduação


Antes da cerimónia


A apresentação do trabalho


O júri e o Público

Os orientadores


A Responsável pelo Curso de Pós-Graduação




Os parabéns (Feliz Aniversário, Hannah!!!!)


Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

MPEG

Museu Paraense Emilio Goeldi
Uma verdadeira instituição da Investigação Amazônica
Uma excelente biblioteca (saudades da Biblioteca do IPA, para já não falar da do IAA...)








Uma equipa muito acolhedora (obrigado à Hannah, ao Fernando Marques, à Fátima, à Dora, à Teresinha, à Salande, e a todos)

Sábado, 9 de Agosto de 2008

Amapá arqueológico

O livro

O autor

"A partir de pesquisas arqueológicas e etno-históricas constatou-se que o Estado do Amapá, possui em sua dimensão geográfica um grande património arqueológico, e porque não dizer que o Estado todo caracteriza-se como um grande sítio arqueológico" p. 20

Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

IEPA, em Macapá

Gerência de Pesquisa Arqueológica


No átrio, uma exposição pedagógica, sobre a arqueologia amapaense





E três salas com um espaço de trabalho bem organizado e vivo.


Forte de Macapá

Uma ponte entre o Alentejo e o Amapá, no Forte setecentista (pombalino) de S. José de Macapá

As andorinhas sobre o Forte, ao fim da tarde: um fenómeno impressionante.



No interior do Forte, nas instalações do IPHAN, uma oportunidade de diálogo transatlântico, com megalitos e arquitecturas de terra como alibi.

A penas índios

No Parque dos Igarapés, nos arredores de Belém.
Conferência dos Povos Indígenas do Pará.Muita cor e muita dignidade, na defesa dos valores e dos direitos indígenas



Pintura corporal, com jenipapo


Orgulho
Os Tiriyós: donos da Savana, no Oeste do Tumucumaque









Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

Foz do Amazonas

De Macapá a Belém: 26 horas de barco, muita água, muito verde...


Muita rede, muita gente



Plantas flutuantes, ao longo de toda a viagem


Tempestade amazónica, ao por do sol

E, o nascer do Sol, no dia seguinte







As canoas dos ribeirinhos




Muita água, muita curva e, por fim, Belém de novo





Sábado, 2 de Agosto de 2008

Good bye, blue sky




Tutti frutti





ii

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Índios

Prospecção de cerâmicas e arte rupestre, numa aldeia Palikur





Museu dos Povos Indígenas do Oiapoque: uma excelente estrutura museológica em terras de fronteira






Desenho de materiais arqueológicos das terras indígenas, nas instalações do Museu

Oiapoque

Floresta alagada, na Chácara do Rona, em Oiapoque



Quarta-feira, 30 de Julho de 2008

De volta à União Europeia...

Um dia na Guiana Francesa (St. Georges de Oiapoque)
Almoço, frente à Mairie de St. Georges

Um sítio arqueológico no lado brasileiro da futura ponte sobre o Oiapoque (a escavar brevemente pela equipa do IEPA).




Escavações em curso no lado francês da futura ponte sobre o Oiapoque, num sítio com um fosso e taludes de tipo "épéron barré"


Oiapoque


Na fronteira com a Guiana francesa, terra de índios e garimpeiros...








Terça-feira, 29 de Julho de 2008

Mucuins e sucurijus

Em Calçoene, no fantástico sítio megalítico AP-CA-18, sondagem junto casa dos guardas (seu Garrafinha e Dona Neusa), num possível habitat relacionado com o monumento.

Sondagens no sítio megalítico do Meiote.

AP-CA-18, ao fundo do caminho sinuoso e visto do igarapé.

Depois dos mucuins, a sucuriju


e o peixe assado pelo seu Garrafinha

O visitante nocturno

Nas ruas de Calçoene




Sexta-feira, 25 de Julho de 2008

Garimpando na Guiana brasileira

Sondagens com trado . O trado também serve de encosto para descansar, claro. O João até parece um alentejano...


Histórias de garimpeiros

,

O descanso dos guerreiros, ou o alentejano no seu melhor...

Natureza morta e menir duvidoso por detrás






Natureza viva

Montanhas de granito

Sondagens (com trado) num abrigo natural, junto de grandes afloramentos rochosos...












Equipa reduzida, familiar: para além do João Saldanha, de mim e da Daisy, uma família de morcegos e um sapo simpático...










Quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Ama, pá

No Sul da área de dispersão dos megalitos de Calçoene, numa planície pontuada de inselbergs graníticos



Numa mancha de floresta e granitos




com morcegos e flores...

Terça-feira, 22 de Julho de 2008

Vocês, brancos, não têm alma

Estórias sérias, mas muito divertidas, de um antropólogo, entre os índios Maku (nómadas, caçadores-recolectores), na fronteira Brasil-Colômbia.

"Junto conosco, os três cachorros caçadores da comunidade: o Motoserra, o Padre Norberto e a Irmã Tereza. Os Maku se divertem dando nomes de brancos aos cachorros; missionários e os seus implementos agrícolas estão sempre à mão."

"o Padre Norberto montou no lombo da Irmã Tereza e ficou engatado nela sem conseguir sair (...) seguiu-se um diálogo entre adultos, entrecortado de risos (...) :
´Tribo estranha essa dos missionários' disse Nyaam Hi. 'Como é que essa tribo continua, se as pessoas não fodem?'
'Deve ser mentira', disse Pedn com ar matreiro. 'Acho que fodem, sim. Olha lá o Padre Norberto! Tá gostando, Irmã Tereza?

Segunda-feira, 21 de Julho de 2008

Fluidos



Os papagaios, omnipresentes nos céus amazónicos, e as águas agitadas frente a Macapá

Comparative archaeologies

Numa obra sobre a arqueologia do Suriname...


Um possível menir decorado e um alinhamento, numa área de encontro de festos principais, no limite da bacia amazónica...


... um recinto de fossos, aparentemente cerimonial...

...e, finalmente, artefactos interpretados como sendo de carácter ritual, de cerâmica, bastante análogos aos "ídolos de cornos".

Homenagem ao Mestre

“Algumas palavras, enfim, sobre a dívida deste livro para com a antropologia de Lévi-Strauss, que lhe forneceu a agenda temática e o referencial teórico principal. Os temas, em primeiro lugar.”

“Por outro lado, talvez caiba sublinhar que o tema da corporalidade, tal como aqui elaborado, deve enormemente às análises desenvolvidas nas Mitológicas (1964, 1966, 1967, 1971). Ou seja, ele não é um tributário da voga do embodiment hoje em curso na antropologia mundial (…). Minha motivação foi etnográfica, partindo da demonstração, implícita nos estudos mitológicos de Lévi-Strauss, de que as sociologias ameríndias formulam-se directamente nos termos de uma dinâmica dos corpos e dos fluxos materiais” Castro, 2002: 16

Domingo, 20 de Julho de 2008

Macapá, pá!

Finalmente, na terra dos megalitos amazónicos
A despedida de Belém.







Forte pombalino de S. José de Macapá






A margem do rio-mar



Nas ruas de Macapá



Sexta-feira, 18 de Julho de 2008

Parque Goëldi












Grafismo indígena





Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Burning Amazonia









Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

acre doce Acre










Museu do Palácio do Governador (Rio Branco): artefactos dos povos indígenas do Acre e memorial Chico Mendes.

Terça-feira, 15 de Julho de 2008

Geoglifos III

Sondagem para estudo de caracterização dos solos, num geoglifo dos arredores de Capixaba (perto da fronteira com a Bolívia).







O Lúcio recolhendo as amostras para laboratório

Segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Sena Madureira

Expedição a Sena Madureira (250 Km, dos quais 50 Km por picada), para confirmar uma informação referente ao aparecimento de urnas funerárias.

Gon e Antónia de cabelos ao vento (na caixa da pick-up)..
.

A poeira do caminho, com motorista Fittipaldi (ou Ayrton de Senna...)


Chegada ao campo e recolha de informações


Assalto às bananas de seu Lino



O fogão de barro de seu Lino


Paisagem

O plateau onde se localizam as urnas

Em busca das urnas

Os nossos informadores junto a uma das urnas



Urnas funerárias

Visita ao Museu de Sena Madureira

Exemplar de urna no Museu


Objectos índios (pente e buzina de cauda de tatu)




Domingo, 13 de Julho de 2008

Rio Branco
















Sábado, 12 de Julho de 2008

Geoglifos II

Monumento constituído por um recinto de montículos, com abundantes cerâmicas à superfície.
Sem fossos visíveis.



Paisagem e natureza na Amazónia ocidental











Sexta-feira, 11 de Julho de 2008

Arte Amazónica

Na Biblioteca da Floresta (Rio Branco, Acre).

Escultura em madeira de Gesileu Salvatore, de Xapuri (Acre): amigo e conterrâneo do Mané do Café (Tejo Bar, em Alfama, Lisboa). Porque o mundo é mesmo pequeno...





Arqueologia da Amazónia Ocidental

Lançamento de um livro sobre os Geoglifos do Acre, na Biblioteca da Floresta, em Rio Branco.

A obra

A biblioteca



Autores e público


Os autores

A Profª Drª Denise Schaan
O Prof. Dr. Alceu Ranzi
O Prof. Dr. Martti Pärssinen

Geóglifos I

No Estado do Acre, arredores de Rio Branco (Amazónia ocidental). Paisagens onduladas, de sedimentos argilosos; os monumentos aparecem em quintas recentemente desmatadas, cercadas pela floresta amazónica.



Geóglifo 1: fosso circular, com talude exterior, quase arrasado (à esquerda da equipa).





Geóglifo 2: completamente arrasado, visível através do crescimento diferencial da vegetação ou mesmo apenas do tipo de vegetação herbácea.




Geóglifo 3: planta rectangular, estruturas muito bem conservadas. duplo fosso, com talude triplo, cerca de 250x150 m, e mais de 2 m de profundidade no fosso maior.



Geóglifo 3: fragmento de cerâmica manual e alentejano em pose.

Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Mais Trastes Tipicos


Em O Liberal, 10.07.2008

Voando sobre o Rio-Mar














Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

Amapaidade





Urnas de Maracá e Cunani

Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Tumucumaque em Portugal

Belíssima obra de Lucia van Velthem, investigadora do Museu Paraense Emilio Goeldi, sobre a arte Wayana.
Publicada em Portugal pelo Museu Nacional de Etnologia e pela Assírio & Alvim, em 2003


"Como a reflexão estética ocupa um lugar importante na considerável obra de Claude Lévi-Strauss, seus escritos a respeito das artes plásticas de grupos indígenas sul e norte americanos encontrados em Tristes Tropiques (1955), Anthropologie Structurelle (1958), La Voie des Masques (1979), La Potière Jalouse (1985) se revelaram fontes estratégicas para o estudo da arte wayana." Velthem, 2003: 59

Tiriyó

Um mito / metáfora da Neolitização, entre os Tiriyó:

"Assim era Pereperewa.
Ele foi pescar, foi para a beira do rio apanhar peixe. Não pegou nenhum.
Então, pescou um e o jogou por cima da cabeça.
O peixe caiu no chão e ficou se debatendo, Pereperewa olhou, porém, o peixe tinha ido embora.
O peixe não estava mais lá. 'Eu pesquei um peixe, um Waraku'
Ouviu uma voz por detrás dele dizer, 'é eu'.
Pereperewa ficou surpreso porque era uma mulher, Waraku, disse 'quero ver sua aldeia'.
Então, eles foram e, naquele tempo, a aldeia de pereperewa ficava no meio do junco Waruma.
Waraku ficou surpresa quando viu a aldeia e disse: 'Onde está sua comida? Onde está sua bebida' Onde está sua casa?
(...)
Ela disse, 'espere um momento, meu pai está chegando trazendo comida, bananas, milho, batata doce, eddoes e mandioca braba'.
(...)
'Como posso plantá-las?' perguntou Pereperewa?. 'Desbaste um terreno para elas. Limpe um terreno para elas', respondeu Waracu."
Rivière, Peter (1969) - Marriage among the Trio. Oxford: Clarendon Press: 259-261






Imagens extraídas de Fajardo Grupioni, D. (2005) - Tiriyó. Povos Indígenas do Brasil.

Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Tumucumaque

Links:
3. Parque